Os dados divulgados pela Embrapa em 2012 sobre o consumo do coco apontam um crescimento de mercado estimado em 20% ao ano. A origem dos cocos consumidos por brasileiros e estrangeiros é, principalmente, o litoral nordestino.

Os dados são do IBGE de 2010 e pontam que dentre os 10 maiores produtores de coco do Brasil, 7 eram da região Nordeste, conforme ilustra do quadro abaixo:

Coco_Tab

Os comerciantes das praias brasileiras sabem que coco é um produto que não pode faltar para seus clientes. Especialmente em temperadas turísticas, quando o grande volume de viajantes incrementa a demanda por coco verde e o aumento da comercialização torna-o um negócio ainda mais rentável. Mas o aumento do consumo da água-de-coco aumenta também o impacto do produto no lixo das cidades. A Embrapa estima que sejam gerados cerca de 6,7 milhões de toneladas de casca de coco verde/ano.

A maior parte dos consumidores descarta cocos em locais inapropriados. Comerciantes, também. A ausência de iniciativas por parte destes comerciantes distancia empresas, sociedades e governos dos benefícios da logística reversa.

As cascas desses produtos, que poderiam ser aproveitadas para gerar uma série de subprodutos, acabam ocupando espaços indevidos por longos 12 anos, que é o tempo médio de decomposição.

Para transformar essa realidade, a Embrapa realiza, há anos, estudos visando o aproveitamento da casca do coco verde. Hoje já é possível aproveitar 80% do seu resíduo. O fato é que o coco verde é um produto altamente sustentável. O fruto é totalmente aproveitável e gera potenciais oportunidades de negócios para os empresários brasileiros. Veja:

Alimentação animal: através do processamento industrial, ou seja, durante a produção de leite de coco, é feita a extração de óleo de coco, obtendo-se um resíduo – a torta de coco – que pode ser ministrado ao rebanho como fonte de proteínas e energia.

Fonte de energia: o casquilho é utilizado para a produção de carvão, carvão para gasogênio, carvão desodorizante e carvão ativado, em substituição ao carvão mineral. O coque metalúrgico, pelo seu alto valor calorífico e baixo teor de cinzas, viabiliza seu uso na ourivesaria, metalurgia e indústria artesanal.

Fonte de açúcares e sais minerais: geralmente desperdiçada pela indústria, a água de coco seco poderia ser utilizada para fornecer açúcares e sais minerais, principalmente potássio. Cada litro de água de coco maduro contém, aproximadamente, 20g de extrato seco de sais minerais.

Fonte de fibras: da casca do coco são extraídas fibras de diferentes comprimentos que servem na fabricação de uma diversidade riquíssima de artigos como vestuário, tapetes, sacaria, almofadas, colchões, acolchoados para a indústria automobilística, escovas, pincéis, capachos, passadeiras, tapetes, cordas marítimas, cortiça isolante, cama de animais.

Adubo orgânico: os resíduos de matéria vegetal resultante da extração das fibras das cascas possuem, geralmente, uma grande umidade que, após uma secagem natural e queima podem retornar ao coqueiral em forma de cinzas que contêm, segundo Y. Frémond (1969), 30% em K2O (óxido de potássio). Caso as cascas não sejam queimadas, pode o produtor incorporá-las ao solo como adubo orgânico fornecendo nesse caso, 3,5% em K2O.

Indústria química: o óleo de coco, extraído a partir da copra, tem propriedades combustíveis e é matéria-prima na fabricação de diversos produtos: borracha sintética, margarina, cosméticos, fluidos para freios hidráulicos de aviões, resinas sintéticas, inseticidas e germicidas, agente plastificador de vidros de segurança, adesivo no processamento de lubrificantes, na fabricação de glicerina e, principalmente, nas indústrias de sabões e detergentes que preferem o óleo de copra pelas suas características próprias como espumante, bactericida, germicida, e, principalmente, por ser biodegradável, portanto, não poluidor do meio ambiente, como acontece com outros tipos de detergentes e saponáceos. Nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos que ainda dispõe de outras matérias primas para obter óleos comestíveis (soja, algodão, girassol), o óleo de coco é altamente utilizado na fabricação de álcool graças ao teor de ácidos láuricos e ácidos saturados de menor peso molecular. Ele serve, especialmente, na fabricação de detergentes, como os sulfatos de álcool não poluentes, devidos às suas propriedades biodegradáveis. A indústria de plásticos utiliza-se também dos álcoois derivados do óleo de coco.

O Sebrae e a sustentabilidade

O Sebrae é uma instituição com papel atuante no tema da sustentabilidade, pois a percebe como um fator de ganho de competitividade para milhares de micro e pequenas empresas.

No Centro Sebrae de Sustentabilidade (CSS) – a unidade de referência nacional do Sistema Sebrae especializada sobre o tema e responsável pela geração e irradiação de conhecimento e cultura de sustentabilidade para mais de 700 unidades de atendimento da instituição distribuídas no país – um dos temas prioritários que norteiam a atuação é a gestão de resíduos. Para ter acesso ao material produzido pelo CSS, acesse http://www.sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Nosso-trabalho/Nosso-trabalho

Lá também é possível conhecer o exemplo de uma empresa incubada que produz biomanta, substrato e outros produtos de fibra de coco.

Busque mais informações também no Sebrae localizado em seu estado, identificando o endereço e as formas de atendimento em www.sebrae.com.br