A dinâmica do mercado faz com que boas oportunidades de negócios apareçam e desapareçam de tempos em tempos. O período de tempo em que as oportunidades estão surgindo, ou iniciando uma curva ascendente de crescimento, é conhecido como janela de oportunidade. Atualmente a janela de oportunidade para a cachaça brasileira está bem aberta, evidenciando perspectivas positivas, tanto no mercado interno como no externo.

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Um dos motivos é que, reconhecida como uma bebida exclusiva e genuinamente brasileira, a cachaça está atraindo investimentos, inclusive, estrangeiros. Um artigo recente do Valor Econômico destacou que a cachaça se tornou aposta das multinacionais no setor de destilados. Hoje essas empresas investem na compra de marcas ou na associação com os produtores brasileiros e adotam como estratégia tornar a pinga um produto sofisticado para consolidar o posicionamento no mercado interno e, no futuro, investir na exportação. Atividade que tem um gigantesco potencial de crescimento.

Outro é a consolidação do posicionamento da cachaça no mercado que ocorre no momento em que as bebidas premium são tendências no Brasil e no mundo. Quando se estuda objetivamente a cachaça, já se comprova que o atual perfil de seus consumidores deixou de vinculá-la à ideia de bebida desvalorizada e de baixa qualidade, comparando-a a destilados nobres como uísque e vodca.

Conforme avaliação realizada pela Federação Nacional das Associações de Produtores de Cachaça de Alambique (FENACA), os consumidores das classes A e B descobriram a cachaça como produto de qualidade, passando a assumir o consumo da bebida, antes tratada como direcionada somente às classes menos favorecidas. O aumento da demanda começou de forma espontânea e passou a ser observado há cerca de uma década. Movimento se refletiu, também, na forma de pedir e de degustar a bebida.

Quando se estuda a potencialidade existente para a exportação do produto e se compara os índices de exportação de outros destilados por seus países de origem, observa-se como é baixo o volume da produção brasileira destinada ao mercado externo.

Enquanto a Escócia exporta cerca de 80% de sua produção anual de uísque, que é de 1 bilhão de litros, o Brasil exporta menos de 1% da produção da cachaça. Comparando com o México, enquanto o Brasil exporta pouco mais de US$ 17 milhões, a tequila movimenta mais de US$ 300 milhões no mercado internacional.

O volume de exportação de cachaça para o exterior, em 2011, atingiu mais 9,9 milhões de litros. Chama a atenção que, desde 2008, existe uma tendência negativa no volume exportado, tendo recuado em mais de 11,7% até 2011. Mas a entrada das multinacionais no segmento está provocando mudanças e isso deve funcionar como um estímulo ao desenvolvimento de estratégias de diferenciação por parte dos pequenos produtores da bebida.

O maior impulsionador desta janela de oportunidade possivelmente seja o reconhecimento de origem brasileira: um “certificado” que classifica como cachaça a bebida que segue regras de produção em território nacional – a exemplo de champanhe, na França, e tequila, no México. O reconhecimento foi feito pelos Estados Unidos e valoriza a cachaça, que até então entrava naquele país como “rum”.

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Além desses motivos, os grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo FIFA 2014 e Olimpíadas de 2016, também se caracterizam por injetar boas doses de estímulo nesse mercado. A expectativa de forte entrada de turistas no País coloca em destaque o papel da cachaça. A bebida, tipicamente brasileira, tem um forte apelo comercial junto aos estrangeiros e os empresários do setor estão empenhados em fortalecer o vinculo do produto à ideia de bebida valorizada e de alta qualidade.

Números do setor

  • 40.000 produtores no Brasil.
  • 98% de pequenos e microempresários.
  • 600 mil empregos diretos e indiretos.
  • 11,5 litros de consumo de cachaça por ano por habitante.
  • 7 bilhões de reais de movimento anual em sua cadeia produtiva.
  • 4.000 marcas de cachaça disputam mercado no Brasil.
  • 50% das Exportações é de cachaça a granel.
  • 70% da produção brasileira é de cachaça de coluna ou industrial e 30% de cachaça de alambique.
  • Mercado informal: ainda elevado em algumas regiões.
  • 3º Destilado mais consumido no mundo.
  • 87% do market share do mercado de destilados no Brasil.
  • Bebida nacional do Brasil por Decreto Federal.
  • Patrimônio Cultural de Minas Gerais por Lei Estadual.
  • Patrimônio Histórico e Cultural do Rio de Janeiro por Lei.
  • Produto que mais tem “a cara brasileira”, segundo pesquisa do Centro de Indústrias de São Paulo.
  • Única bebida, na atualidade, capaz de ter um boom no mercado internacional.

Fonte: CBRC- Centro Brasileiro de Referência da Cachaça. Dados 2012