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Confira dicas sobre uma tendência que apareceu nas passarelas em 2015

Não é de hoje que o mercado da moda revela traços da não-categorização e separação das peças por gênero. Na década de 20, a estilista Coco Chanel ousou criar roupas para mulheres a partir das peças masculinas. A partir daí, a moda tem se direcionado, cada vez mais, para um universo sem gênero, e a expectativa é que seja incorporada pelos consumidores da nova geração.

“As marcas ainda consideram muito importante a divisão de peças masculinas e femininas, mas reparo que a nova geração de consumidores não se importa mais tanto com isso. A linha de pensamento do consumidor é algo bem mais simples: ‘eu gosto, eu compro, eu uso’. Sem grandes análises de gênero. Acredito que quando o mercado compreender isso por completo, vamos ver surgir lojas sem divisão de gênero”, afirma Nuta Vasconcellos, jornalista de moda e blogueira no Girls With Style.

A tendência que esteve presente nos principais desfiles de 2015, sobretudo nas passarelas direcionadas para um público mais sofisticado, que busca referências internacionais constantemente.

“A modelagem é o grande desafio, sobretudo com produtos de tecido plano. Possibilitar um bom caimento no corpo masculino e feminino ao mesmo tempo exige um profissional de modelagem que goste de ser desafiado”, alerta Patricia Sant’Anna, fundadora e diretora de pesquisa da Tendere.

Vantagens de atuar neste nicho

Existem diversas expressões utilizadas para representar a moda sem gênero, são elas: unissex, plurissex, gender-bender, agender ou androginia. Confira abaixo as vantagens voltadas desse nicho de mercado:

  • Maior alcance de consumidores, uma vez que a loja pode comercializar produtos para homens e mulheres, simultaneamente, sem distinção.
  • Criação de um e-commerce focado nesse nicho, atendendo aos consumidores de moda que procuram roupas independente do gênero.
  • Melhor aproveitamento da matéria-prima, que pode ser utilizada para criar peças dos mais diferentes estilos.
  • Diferenciação em mercado no qual as marcas estão em constante processo de alteração devido à temporalidade da moda.
  • Padronização da modelagem, uma vez que homens e mulheres usarão a mesma peça de roupa, sem grandes alterações no modelo.
  • Otimização de espaço físico, pois a loja não precisará de divisões físicas.
  • Redução de custos no negócio.
  • Diminuição do estoque, não sendo necessária a compra de grande quantidade de roupas diferentes para os diferentes consumidores.

Preferências dos consumidores que favorecem a moda sem gênero

1) Mulheres na seção masculina
As mulheres que compram na seção masculina buscam o conforto oferecido pelas peças.
Entre as preferidas estão camisetas com estampas, que posteriormente serão personalizadas, e moletons, para compor um look despojado e confortável. “A peça masculina é naturalmente maior do que você, então a sensação de liberdade é maior”, diz Renata Morrone, produtora de moda, personal stylist e figurinista.

2) Homens na seção feminina
A cena é mais incomum de ser vista, no entanto, muitos homens procuram nas seções femininas modelos de calças mais justas ou, então, algo a mais para vestirem. A calça skinny é uma das peças mais procuradas pelos homens, principalmente por ser mais justa e não necessitar de ajuste na costura.

3) Roupas para crianças
Algumas marcas têm se posicionado no mercado com o conceito de roupas sem gênero para crianças. Isso contribui para que as crianças não cresçam com um padrão de moda pré-estabelecido, sendo livres para escolherem o que vestirão. Estes fabricantes estão trabalhando estampas e cores variadas que possam ser usadas tanto por meninos quanto por meninas. Algumas lojas de grife criaram coleções com roupinhas sem marcação de gênero; outras, aboliram as seções masculinas e femininas, reunindo as roupas em um único departamento e separando-as somente por idade.

Caso de sucesso

Criada pela estilista Livia Campos, a marca Beira aposta na moda sem gênero, com o conceito “Plurissex”, ou seja, o cliente decide como vai usar a peça, seja homem, seja mulher. O próprio nome escolhido para o negócio representa o limite entre o feminino e o masculino. “Quando crio, penso na roupa, não no homem ou mulher”, conta a empreendedora.

As peças que produz possuem costuras internas, que podem ser vistas quando é virada ao avesso. A modelagem é desconstruída, idêntica e sem distinção de gênero. “Em uma calça, por exemplo, o homem deixa o gancho lá embaixo, enquanto a mulher coloca com cinto na cintura. É mais a maneira de usar do que o modelo”, avalia Livia Campos.

A Beira não trabalha com peças por coleção. Apenas dá continuidade à primeira linha que desenvolveu. A marca acredita que assim é possível contar uma história e valorizar o processo criativo.

Fonte: Sebrae Inteligência Setorial

Edição: Fernanda Peregrino, da FC Comunicação.

Imagem: Divulgação/Beira