aprendendo a empreender

Novo projeto do Sebrae em conjunto com o Instituto Paula Souza cria o primeiro centro gratuito de formação empreendedora do País. Intitulado Escola de Negócios Sebrae –SP, o projeto incentiva os jovens a empreender, inovar e gerir.

Bárbara Oliveira, 17 anos, e Jackeline Simões, 16, gostam de Bruno Mars e de conversar com os amigos pelo WhatsApp, como muitas adolescentes. O diferencial é que as duas colegas do ensino médio acabam de criar o PC-ill (em inglês, “computador doente”), aplicativo (app) que permite ao próprio usuário consertar seu desktop ou notebook. Mas as amigas foram além. Estão na Technovation Challenge, competição mundial de apps exclusiva para garotas de 10 a 18 anos. “A gente nunca tinha pensado em criar nada, o colégio nos deu um novo ponto de vista”, diz Bárbara. A virada na visão e na vida das jovens aconteceu no ano passado, quando entraram na Escola de Negócios Sebrae-SP, a primeira escola do País gratuita voltada ao empreendedorismo com ensino técnico e tecnológico gratuito, ligado ao Centro Paula Souza. “Depois que vim para cá, fiquei mais curiosa. Tenho vontade de fazer as coisas, de aprender”, diz Jackeline, antes de ir para o treinamento de pitch (apresentação da empresa e do empreendedor para possíveis investidores com, no máximo, cinco minutos), que ela e Bárbara recebem nos intervalos dos estudos do 2º ano da Escola Técnica Estadual de São Paulo (Etec), que funciona na Escola de Negócios Sebrae-SP. “Tem tanta coisa legal na escola que, ultimamente, está difícil tirar a gente daqui”, diz Jackeline. A qualidade do ensino atrai cada vez mais estudantes. Ano passado, na inauguração da Escola de Negócios Sebrae-SP, a concorrência era de um aluno por vaga. Neste ano, são cinco. “As pessoas estão vendo os resultados da parceria com o Sebrae-SP, do trabalho dos consultores que interagem o tempo todo nas salas de aula”, afirma a diretora da Etec da Escola de Negócios Sebrae-SP, Ivone Lainetti Ramos, enquanto mostra no celular as fotos da mais recente reunião de pais, que lotou o auditório. “Pela internet, os jovens têm muita informação, mas não conhecimento. É aí que fazemos a diferença”, diz Ivone. A demanda de interessados tanto para o nível médio quanto para o superior, só aumenta. Localizada em área de 10 mil metros quadrados na Alameda Nothmann, 598, em Campos Elíseos – centro da capital paulista –, a unidade atendeu 245 alunos no primeiro semestre de 2014. No segundo semestre de 2015, são 644.

Excelência internacional

 “O objetivo é nos tornarmos referência em inovação e, para isso, temos que ser uma escola inovadora”, diz o diretor da Fatec, parceira da Escola de Negócios Sebrae-SP, Mário Roque Júnior. O foco na adoção de novas estratégias veio da missão que visitou alguns dos principais centros de empreendedorismos dos Estados Unidos – Escola de Negócios de Harvard, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Faculdade Babson e Universidade de Northeastern – e, a partir daí, criou o modelo de ensino da Escola de Negócios Sebrae-SP. “Uma das coisas que vimos nessas instituições de excelência americanas é que a sala pode ser qualquer ambiente de ensino. Fico orgulhoso quando vejo que conseguimos praticar isso. Temos muitas atividades em campo. É comum as turmas viajarem com o professor para aprender de perto o que a teoria diz”, ressalta Roque Júnior. “Nosso norte é a educação empreendedora, com disciplinas exclusivas como Prospecção de Negócios, Plano de Negócios, Gestão de Projetos e Políticas Públicas de Empreendedorismo. Estamos formando empreendedores de ação, agentes de transformação da sociedade, que vão mudar o jeito de fazer negócios dentro da empresa e mostrar que os desenvolvimentos econômico e social não são antagônicos”, afirma o coordenador do curso de Gestão de Negócios e Inovação (GNI) e um dos criadores da matriz curricular, Caio Flávio Stettiner. Ao fim do primeiro ano de funcionamento, a principal lição é investir na estruturação, “para ter capacidade de ganhar escala, porque há uma enorme demanda e a escola está formatando soluções para atender a instituições de ensino superior e sua comunidade estudantil”, afirma Juliana Gazzotti Schneider, da Unidade de Cultura Empreendedora do Sebrae-SP. Segundo ela, outro foco é ampliar o investimento no processo de formação de educadores preparados para realizar um trabalho que, de fato, desenvolva nos estudantes competências empreendedoras.

Saiba como participar

A Fatec Sebrae‑SP oferece dois cursos: Gestão de Negócios e Inovação (GNI) e Gestão de Marketing. Na Etec, além do Ensino Técnico Integrado ao Médio (Etim) em Marketing ou Administração (com duração de três anos), há o técnico modular (noturno, com três semestres) e o ensino a distância (EAD, com duração prevista de três semestres) de Comércio. A duração dos cursos varia entre 18 (técnico) e 36 meses (Etim e tecnológico). Para cursar a Etec, é preciso ter terminado o ensino fundamental. Já no caso da Fatec, é necessária a conclusão do ensino médio. Os processos seletivos estão integrados às demais unidades do Centro Paula Souza. As informações sobre as datas e as demais exigências para as inscrições para exames, que darão ingresso aos alunos no início de 2016, serão divulgados por volta de setembro deste ano. Para o ciclo de ingressos até o fim de 2017, a unidade vai disponibilizar 2 mil vagas para os ensinos médio e superior, alcançando sua capacidade máxima.

Etec: www.vestibulinhoetec.com.br

Fatec: www.vestibularfatec.com.br

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