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O estilo country ficou mais descontraído, menos padronizado e mais jovem

Influência norte-americana, o estilo country foi rapidamente absorvido no Brasil, em virtude do amplo universo rural existente no País. As roupas eram características dos trabalhadores do campo, onde os principais itens do vestuário são calça jeans tradicional, bota ou botina, camisa manga longa, e ainda o chapéu, a cinta e a fivela. Ele foi incorporado no dia a dia das pessoas das cidades grandes que, ao longo dos anos, contribuíram com elementos que trouxeram sofisticação e requinte.

De forma geral, é utilizado por homens e mulheres que gostam de música sertaneja, frequentam rodeios e estão envolvidos de alguma forma com o cenário agropecuário nacional. Os adeptos da cultura country, formada por jovens de classe média e média alta, não economizam nas compras de roupas e acessórios típicos deste nicho, principalmente com a chegada do inverno. Por isso, o estilo country ficou mais descontraído, menos padronizado e mais jovem. Atualmente, as roupas são mais modernas e acompanham tendências de moda, sem perder, contudo, o estilo clássico, como a preservação do corte mais alto da calça, utilização de fivelas e cintos, a manga longa nas camisas, a estampa xadrez, o conforto das botas, o uso de chapéu, entre outros elementos.

Potencial de mercado

Este mercado de tamanha proporção e eventos bem produzidos ajuda a movimentar não só a indústria de entretenimento, mas também o mercado de moda. São realizados anualmente entre 1.500 a 2.000 rodeios no Brasil, os quais movimentam cerca de R$ 6 bilhões e atraem por volta de 30 milhões de pessoas, segundo a revista Globo Rural. Esses eventos acontecem em pequenas e médias cidades do interior de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, além de algumas do Rio de Janeiro e do Pará. Trata-se de um setor que tem crescido por volta de 7% ao ano nos últimos anos, segundo dados do Clube dos Independentes, responsável pela organização do rodeio em Barretos (SP).

Segundo Rogério Volpini, do escritório regional do Sebrae-SP, a Festa do Peão atrai todos os anos um milhão de pessoas para o município paulistano. “A festa é uma oportunidade de negócios, mas durante todo o ano a região recebe mais de 5 mil turistas por semana, principalmente por ter essa vocação de economia sertaneja”, afirma Volpini.

A Confederação Nacional de Rodeio (CNAR) afirma que ainda há oportunidades para pequenas empresas prosperarem no setor, com um espaço amplo de crescimento e uma demanda, de certa forma, reprimida. Abrir uma loja do gênero, portanto, pode ser uma boa oportunidade para explorar um mercado em franco crescimento.

Mercado

A empresa Tassa, de moda country, existe desde 1996 e foi criada pelo empresário libanês Najib Michel Abou Rjeili. Hoje, produz 22 mil peças por mês, vendidas em quase 900 lojas e em 2013 inaugurou seu e-commerce. “A marca veio para quebrar o estigma de que roupa country era simplesmente calça modelo cowboy cut, camisa xadrez e chapéu. Veio para mostrar uma linha mais casual, simplesmente usando poucos elementos que reportassem ao segmento”.

Segundo Najib Rjeili, este mercado passou por várias fases: entre 1994 e 2000, foi um momento de formação e consolidação impulsionado pelo sucesso de novelas exibidas na época; e entre 2000 e 2005, ocorreu uma estagnação. Depois, o mercado voltou a crescer impulsionado pela moda do sertanejo universitário.

A Marinho Moda Country é uma loja tradicional de calçados, situada na região metropolitana de São Paulo, e com mais de 30 anos no mercado. Por volta de 2004, com o objetivo de inovar e agregar valor ao negócio, o proprietário Luís Marinho montou um espaço de moda country dentro da loja. Investiu R$ 6 mil, comprando acessórios e roupas e fazendo uma decoração diferenciada. A empresa atende 200 clientes por mês e vende em média 400 produtos. A linha country representa 20% do faturamento mensal. “Nesse segmento acredito que a gente consiga, ainda, crescer pelo menos uns 20%, 30%, porque há um espaço considerável ainda para se trabalhar”, revela.

Há quatro anos no mercado, a empresa Brasil Cowboy, de São Paulo, é um varejo on-line que já contabiliza 35 mil clientes atendidos em todo Brasil. Oscar Tenuta, dono, garante que acertou na escolha do negócio. “Sempre gostei desse mercado e sempre fui um consumidor ativo na internet”, relembra. Ele acredita que o produto escolhido também facilitou o crescimento, já que o número de empresas que vendem moda country pela internet ainda é moderado.

Estratégias de diferenciação

• Ofereça, em seu mix de produtos, peças mais tradicionais como camisa xadrez, calça jeans, chapéu, roupas com franjas, calças e jaquetas jeans, lenços e botas. Tudo com elementos de tendência de moda;

• Comercialize também peças que não sejam tradicionalmente country, mas que estejam na moda, principalmente para as mulheres. Diversificar o mix de produtos pode aumentar as vendas;

• Busque fornecedores que ofereçam produtos com modelagem e tecidos diferenciados, como por exemplo, tecidos xadrez em seda com brilho. Este público gosta de qualidade e exclusividade;

• Invista em linhas personalizadas. Exemplo: peças com couros exóticos, como o de avestruz. Mas atenção: estas peças exigem autorização do Ibama, a entidade de controle da fauna e da flora do País;

• Aproveite eventos como feiras agropecuárias, rodeios e shows sertanejos para vender seus produtos ou realizar alguma ação de promoção;

• Esteja sempre de olho nas novidades do mundo country. Visite rodeios e feiras e leia revistas e sites especializados;

• Faça parcerias com duplas sertanejas, casas de shows e festas para promover a marca;

• Invista no visual da loja e em uma decoração que remeta ao universo country para que o cliente se sinta em um espaço típico, enquanto faz as compras;

• Busque diversificar o negócio oferecendo, por exemplo, peças para selaria, consertos de chapéus, entre outros.
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Fonte: Nichos de Moda. Sebrae, 2015.
Edição: Fernanda Peregrino, da FC Comunicação.
Imagem: Tassa/Facebook