Vincular a instituição financeira a um determinado público é uma tarefa difícil e, muitas vezes, fruto de campanhas publicitárias eficientes e direcionadas, que permitem a percepção positiva dos clientes nessa relação. Afinal, há bancos para todos os gostos: tem um que é feito para sua empresa ou para você, tem o banco para todos, tem banco do planeta e aquele que fala a sua língua. Todos correndo atrás de um cliente, pessoa física ou jurídica, que, cada vez mais, é exigente e tem, a seu favor, o benefício da pesquisa, seja de taxas, seja de produtos ou de serviços.

Um novo cliente entra nessa disputa, talvez ainda sem causar grandes necessidades de marketing por parte das instituições financeiras, mas com um movimento de crescimento silencioso e bem-sucedido, que, em pouco tempo, pode se transformar na figura mais representativa do empreendedorismo formal do país: o Empreendedor Individual.

Segundo pesquisa do Sebrae divulgada no início do mês, no Brasil inteiro, eles são mais de 2,5 milhões, com CNPJ e direitos previdenciários. Nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, já representam mais da metade dos empreendimentos formais de pequeno porte, que, além deles, são compostos por micro e pequenas empresas. Na Região Sudeste, o número de Empreendedores Individuais hoje alcança 49% do total dessas empresas. Pelo fato da formalização e com a possibilidade de emitir nota fiscal, buscam novos mercados, como, por exemplo, de venda para os governos, especialmente o municipal, bem como para outras empresas de maior porte, já que são profissionais que se concentram nos segmentos de comércio e serviços.

Essa mesma pesquisa destaca que 90% dos entrevistados dizem não ter procurado o banco para crédito, o que pode evidenciar uma ausência de identificação desse público com as instituições financeiras. Um segundo ponto também importante é que do universo dos empreendedores que buscaram crédito, mais da metade conseguiu (52%), o que é uma melhora significativa em relação ao número da pesquisa do ano passado (42%), e que pode indicar uma melhora na classificação do risco desses empreendedores. O terceiro ponto a destacar é que os bancos públicos são os mais procurados (68%), seguidos dos bancos privados (27%), das cooperativas de crédito (4%), dos particulares (3%) e das Oscips (2%). Entretanto, quando a pergunta é focada no sucesso do empresário em conseguir o empréstimo que buscava, observa-se que há uma inversão das instituições, já que 89% dos que buscaram crédito conseguiram obtê-lo nas Oscips; 79%, nas cooperativas de crédito; 62%, nos bancos privados; e 50%, nos bancos públicos.

Abrindo a lista dos bancos que estão concedendo crédito para os Empreendedores Individuais, observa-se que as Instituições de Microcrédito são as mais citadas pelos empresários (93%), seguidas das Cooperativas de Crédito (79%), do Itaú (65%), do Banco do Nordeste (61%), do Bradesco (60%), do Santander (59%), do Banco do Brasil (42%), da Caixa Econômica Federal (35%) e do Banco da Amazônia (26%).

BANCO DO MEI

Nesse contexto, e respondendo à pergunta inicial deste texto, observa-se que as instituições de microcrédito e as cooperativas de crédito têm se destacado na atuação com o segmento; entretanto, os bancos públicos, que têm a seu favor a vocação natural no atendimento via programas nacionais de apoio, e as instituições privadas, que já perceberam o potencial desse nicho de mercado, podem avançar e proporcionar condições de maior acesso a produtos e serviços financeiros para os milhões de Empreendedores Individuais que ainda não chegaram ao sistema financeiro em busca de crédito – portanto, o jogo está aberto.

Como fazer isso? Bom esse é assunto para outro post. Até lá.

Confira pesquisas recentes (2015) em : PESQUISA FINANCIAMENTOS DE PEQUENOS NEGÓCIOS 2015 REVELA PREFERÊNCIA E DIFICULDADES DOS EMPRESÁRIOS