Esse artigo faz parte de uma série de análises sobre painéis temáticos na Campus Party 2015

Marcos Chomem – Business Development Latin America da CDBaby. Atuou como executivo de empresas de software como Cognos e IBM. Faz parte do comitê da BM&E – Organização de exportação de Música Brasileira financiada pela Apex. Já apresentou a palestra em eventos como Porto Musical (Recife), ABMI (Rio de Janeiro), Festival Contrapedal (Uruguay), Seminário Internacional de Música Digital na Universidade de Brasilia e Circulart (Colombia), FIMPro (México).

O Marcos trabalha há anos na indústria da música e quis levar um pouco do conhecimento de como funciona este mercado, como funciona o ecosistema de músicas e quais as oportunidades!

Para ele, o novo usuário de música é o cara que pluga algo no cel e vai ouvir em qualquer lugar. Isso parece normal para a qualquer pessoa que mexe com internet hoje, mas a indústria – que ainda tem bases sólidas no modelo tradicional offline –  ainda precisa chegar lá.

O Napster foi o criador da ideia de uma mídia social, eram pessoas trocando e falando de músicas com outras pessoas. Música aproxima as pessoas e lá as pessoas podiam trocar músicas e idéias. O Napster tinha em menos de 1 mês 60 milhões de usuários! 60 milhões em menos de 1 mês é o maior exemplo de viralização da história.  O Sean Parker criou o P2P (peer2peer) e a indústria da música ruiu. (Dica: Vale a pena ver este documentário https://www.youtube.com/watch?v=kSZqkn9hT5w sobre essa fase)

Uma dica para quem vai começar a trabalhar essa indústria da música é fazer o seu negócio ser focado em fazer algum dinheiro e não apenas ser um hobby. Pesquisa da PWC (um relatório do mercado de música de 2007 a 2015). O volume de música no meio físico cai (Cds, dvds, blue ray), o digital sobe e show crescem fortemente. A equação é algo como Físico + digital = Shows. Ou seja, shows dão realmente muito dinheiro, mas tem dinheiro em todos os lugares da cadeia.

O mercado de vendas digitais era de USD 5.2 bilhões em 2013, ou seja,  super pequeno.

Falando em digital, neste meio o que mais se vendem são games, seguidos de música e depois livros.. Mas livros está super atrás dos dois primeiros.

Falando em Brasil. Ele chega sempre atrasado. Precisamos mudar isso.

Olhando o exemplo do crescimento de músicas digitais. Em 2007 um BOOM. Depois as gravadoras quiseram continuar vivendo do físico, do mundo que conheciam. A velha guarda da música foram os responsáveis por segurar o nosso mercado.  Logo, ainda tem muito mercado para crescer! Observe a diferença 28 milhões de assinantes de streaming de música (MUNDO) e o Netflix, sozinho, tem 40 milhões de assinantes apenas nos Estamos Unidos.

Por isso o iTunes está correndo para criar um streaming, é um mercado gigante.

Não é que o Brasil está bombando com os números crescentes nos últimos anos, é que estamos correndo atrás do prejuízo. Exemplo do Brasil atrasado. Se você quer gravar uma música do Roberto carlos, tem que achar a editora dele, entrar em contato, conseguir um contrato e comprar adiantar X músicas pelo preço que ele quiser. Lá fora tem uma startup chamada limeLight (comprada pelo Google) que faz isso tudo automático. Super fácil gravar músicas do U2, por exemplo ;)

Mas, o Marcos acha que a gente tem que competir com quem é grande fazendo algo no mesmo patamar deles. Não adianta a gente apenas criar uma empresa copiando um cara de fora que faz melhor. Ele vai chegar aqui alguma hora e engolir a gente. Deveria ser o contrário, criarmos coisas legais para a gente engolir eles.

Dica: Não desenvolvam para a geração mais velha, faça para os millenials. Metade da população (46%) que ouve música por streaming são da geração Y. 

O Masrcos fez um comentário sobre a geração acima dos 40 anos, “Se o taxista sabe usar o 99 taxis e eles não sabe usar um streaming de música tem algo errado!” ;p

Quando foi comentar sobre os canais de distribuição, Marcos deu o exemplo que a amazon consegue estocar ‘100% das músicas’ ao passo que o Walmart só a curva A. A amazon consegue além de vender a cauda longa, promovê-la. Como? Se você ouvir Britney spears que é a artista (hipoteticamente) 340 no ranking, podem também te sugerir a Pink que é a 1080 e depois o no doubt (32.056). É uma forma excelente te disseminar nova músicas e artistas. Tem artista do Brasil que vende na Nova Zelândia! Isso não iria acontecer no mundo físico. Mas não é só de lojas virtuais tradicionais que vive este mercado. Tem gente comprando música dentro do Xbox. A cd baby, onde o Marcos trabalha, por exemplo, distribui para 98 lojas diferentes. Música é um business global. viver de música online / streaming só do Brasil é quase um milagre. Para dar certo tem que vender para muita gente. Um streaming destes internacionais como o rdio ou o spotify tem entre 30 e 40 milhões de músicas disponíveis.

Insight: 50% das músicas do Mundo são descobertas @ youtube. Ou seja, se algum músico está lançando algo de novo e não colocou lá ainda, esta bobeando.  Vai lá e sobe um video, rapidinho.

 Conheça as análises dos principais painéis da Campus Party 08 (2015):

1 – Deu ruim! O que fazer quando as coisas não dão certo?

2 – Eles chegaram lá. Você também pode!

3- Como organizar e definir ritmo em sua startup/empresa “Google Style”

4- Exercitando sua imaginação e explorando seu valor econômico

5- Quem paga pelo conteúdo das redes sociais – Indiretas do bem

6- Lições de empreendedorismo que aprendi NASA

7- Novos negócios: música online

8- Do Brasil para o Mundo : o case do Blogo

9- E-commerce integrado em redes sociais

10 – Produto, sociedade e pessoas

11 – Startups e investidores: falando a mesma língua

12 – Visão de Internet para Ime Archibong (Facebook)

13 – Importância do CTO e da equipe técnica ao levantar Capital de Risco