cosméticos ecológicos

O mercado consumidor de produtos cosméticos ecológicos no Brasil é fortemente impulsionado pela influência dos meios de comunicação e entidades que conscientizam os consumidores com questões ambientais, sociais e ecológicas, o que acaba por tornar a população mais atenta com, além da sustentabilidade, sua saúde e bem estar. O mercado também é estimulado pelo crescente acesso ao produto, visto que cada vez mais empresas (inclusive varejistas e agentes de cosméticos tradicionais) estão ingressando no mercado.

De modo geral, o perfil do consumidor dos produtos em questão são pessoas que sabem dos benefícios trazidos pelo consumo de um produto deste tipo. Segundo artigo do IBOPE Inteligência do ano de 2006, entre os consumidores de cosméticos 41% já são do sexo masculino e o consumo não está restrito exclusivamente às camadas de maior poder aquisitivo, já que mesmo respondendo pela compra de produtos de menor valor agregado, as classes D e E já respondem por 28% dos consumidores do segmento, contra 39% da classe C e 33% das classes A e B. Outra perspectiva positiva para o setor nos próximos anos é a de que, além do envelhecimento natural da população, as pessoas também estão começando a usar produtos de beleza cada vez mais cedo: pré-adolescentes e jovens já respondem por um quinto do total de altos consumidores da categoria.

Dessa maneira, por se tratar de produtos de preços um pouco acima da média dos cosméticos em geral, estima-se que o mercado alvo para os ecológicos seja focado principalmente no público feminino, das classes A, B e C e de faixas etárias variáveis, conforme características intrínsecas do produto e seu posicionamento.

Mercado Concorrente – Segundo informações de 2010 da ABIHPEC, existem no Brasil 1.659 (mil seiscentas e cinquenta e nove) empresas atuando no mercado, sendo que vinte empresas de grande porte respondem por 73% do faturamento total da indústria cosmética. A maior concentração destas empresas está no sudeste do país, com 1.047 empresas registradas em 2009 e, em segundo lugar, a região sul com um contingente de 322 empresas. Destaca-se a representatividade do estado de São Paulo com mais de 44% do número total de organizações.

Para uma fábrica de cosméticos ecológicos que deseja se instalar no país, o número de concorrentes a ser observado deve ser inferior ao total apresentado anteriormente, já que o mercado com apelo ambiental brasileiro apresenta-se relativamente como novo, com recente inserção de pequenas e médias empresas e alguns grandes players mais experientes investindo esforços para atender o nicho. As duas vertentes de concorrentes que se formam dizem respeito a produtores de cosméticos naturais e produtores de cosméticos orgânicos.

No país os principais concorrentes de produtos ecológicos surgem como as maiores empresas do ramo de cosméticos, fato confirmado pela participação destas no faturamento da indústria, porém empresas de pequeno e médio porte já iniciam sua participação no mercado nacional à medida que a aderência dos brasileiros por esses produtos aumenta e ações de marketing e distribuição efetivas são realizadas.

Um aspecto importante a levar em consideração é que graças à entrada no mercado de grandes empresas varejistas, esses tipos de produtos naturais estão cada vez mais acessíveis ao consumidor final.

Mercado Fornecedor – No mercado fornecedor do ramo de cosméticos ecológicos, apresentam-se empresas da indústria extrativista, química/farmacêutica, plástica/papeleira, mecânica, tecnológica e de mobiliário.

A indústria extrativista e de processamento, juntamente com cooperativas e associações de produtores rurais de matérias primas, surgem como os principais agentes da cadeia de cosméticos ecológicos, devido às matérias- primas naturais desempenharem papel-chave no desenvolvimento e sucesso de uma indústria desse segmento. Dessa maneira, ressalta-se o estratégico papel da biodiversidade brasileira nessa indústria, tornando-a menos custosa e mais competitiva frente ao mercado externo. Fornecedores de matéria prima natural ou orgânica, como vegetais semi acabados, extratos vegetais e óleos essenciais, podem ser encontrados com ajuda das próprias certificadoras, já que, dependendo da configuração de produto que a empresa deseja adotar – orgânica ou natural – quase a totalidade de seus produtores de matéria prima devem possuir selo orgânico. Segundo entrevista do especialista no mercado de cosméticos orgânicos, Marcos Caram, para o portal Pequenas Empresas & Grandes Negócios, para iniciar um pequeno empreendimento do ramo são necessários de dez a doze produtores para obtenção da matéria prima necessária, quantidade que seria reduzida no caso de uma empresa de “cosméticos naturais”, por necessitar de menores percentuais de produtos naturais e orgânicos, tendo essa maior incidência de produtos provenientes da indústria química. O mercado brasileiro posiciona-se favoravelmente quanto à presença destes fornecedores no país, sendo estas matérias primas inclusive exportadas como insumos para as grandes indústrias cosméticas do exterior, principalmente da floresta amazônica, como é o caso da exportação de cupuaçu, guaraná, copaíba, buriti. Conforme o relatório “Cosméticos a base de produtos naturais” do SEBRAE em parceria com a ESPM de 2008, alguns dos ingredientes naturais mais procurados para a fabricação de cosméticos naturais são: Óleo de sementes de Maracujá, óleo de Andiroba, óleo de Buriti, óleo de Castanha-do-pará, óleo de Copaíba, óleo de Pracaxi, manteiga de Cupuaçu, manteiga de Muru-Muru, manteiga de Ucuúba e mel e derivados.

A indústria química/farmacêutica também surge como necessária na cadeia de mercado por fornecer alguns ingredientes como agentes de consistência, espessantes, antiespumantes, emolientes, emulsionantes, solubilizantes, corantes, dentre outros. Porém, deve-se levar em consideração o uso de ingredientes sintéticos que constem na listagem de substâncias permitidas pela certificadora responsável, no caso de o produto ser certificado. O mercado nacional de cosméticos é altamente dependente da importação de insumos químicos básicos, como álcoois graxos, pigmentos, corantes e princípios ativos, conforme estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial de 2009.

A indústria de embalagens, tanto de papeleira quanto plástica, também desenvolve papel fundamental no posicionamento sustentável da empresa, já que é o insumo mais reconhecido pelo consumidor como poluente e por ser o primeiro atrativo de compra, a embalagem do produto deve seguir a ideia de ecologicamente correta. Os fornecedores de embalagens para este ramo configuram-se como indústrias plásticas de recipientes feitos com plásticos de envases de produtos cosméticos em geral, caracterizados como frascos, sachês, bisnagas plásticas e laminadas, blisters, moldes exclusivos, dentre outros, recicláveis e biodegradáveis, que podem ser apresentadas também na forma “refil”. A indústria papeleira é também preponderante no mercado pela variedade de fornecedores de embalagens feitas de papel reciclado no país. A presença dos fornecedores de embalagens plásticas genéricas para o ramo ocorre de forma pulverizada no país, porém os fabricantes de embalagens mais específicas para cosméticos estão principalmente localizados na região sudeste do Brasil.

A indústria mecânica atua no fornecimento de máquinas e equipamentos para a fabricação de cosméticos, como exemplo, equipamento de laboratório para análise e teste de processos químicos, moldes, prensas, granuladores, filtros, agitadores, maceradores, reatores, dentre outros.

Fornecedores de software e equipamentos tecnológicos, assim como de mobiliário, podem ser encontrados em todo o território brasileiro. Para processos produtivos mais complexos e de larga escala, as soluções mais específicas em programação de produção e software de gerenciamento para o ramo são de fornecedores estrangeiros. Em relação ao mobiliário, os itens podem ser encontrados em fornecedores mais próximos da localização da fábrica.

De uma forma geral, devem-se preferir fornecedores certificados ambientalmente e que realizem práticas de sustentabilidade socioambiental para respaldar a reputação ecológica do produto.

Obtenha mais informações acessando o estudo no Portal do Sebrae.

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