Segundo maior patrimônio cultural brasileiro, só perdendo para o futebol, a cachaça não tem definida claramente a sua origem. Algumas conjecturas apontam para o Estado de São Paulo, outras a querem no Rio de Janeiro, Pernambuco ou Bahia. Outras fontes sugerem lugares fora do Brasil, inclusive antes da chegada dos portugueses à América. Os primeiros relatos encontrados no Brasil foram descritos para produção do destilado em 1554, na Bahia. 

Desde o início, a cachaça tem histórias de altos e baixos desempenhos, de proibida e comercializada clandestinamente a tributada abusivamente; de bem de consumo interno a item de exportação, como um dos principais e mais rentáveis produtos da economia da colônia, no início do século XIX e como gerador de recursos para a reconstrução de Lisboa, após terremoto em 1755. 

No século XX, com o registro da marca CACHAÇA como produto do Brasil, a bebida teve novamente seu auge renovado, mas mesmo assim continua como produto relegado e penalizado pela tributação e pelos próprios brasileiros. Por estas razões e por aspectos culturais e econômicos, a produção de cachaça continua sendo realizada em grande parte na informalidade. 

A partir da década de 1980, a cachaça de alambique toma novo impulso pelos produtores e por instituições de pesquisa, podendo-se afirmar que o desenvolvimento tecnológico atual já permite conhecimentos para a produção de elevada qualidade, comparadas às melhores bebidas existentes.

Na Bahia, os trabalhos de melhoria da qualidade da cachaça de alambique tiveram início na década de 1990, com estímulos, principalmente, por parte da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), atual Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE), do Governo do Estado e do SEBRAE, direcionados, prioritariamente, para a melhoria da qualidade do produto, em menor intensidade, para gestão e, mais raro, para atividades promocionais.

Como resultado dessas ações, surgiram empreendimentos buscando a melhoria da qualidade da cachaça de alambique. Porém, vários deles não se sustentaram e se encontram com atividades suspensas ou simplesmente “fecharam suas portas” definitivamente.

O objetivo deste trabalho foi buscar as causas dessa situação por meio de análises de cenários (micro e macroambientais), principalmente das análises SWOT e COMPETITIVA, envolvendo todos os segmentos da cadeia produtiva da cachaça, com foco no mercado, visando também servir de base, e se constituindo de fato, para a estruturação de propostas fundamentais para um plano de ação e de atendimento, que vise tornar os empreendimentos sustentáveis. 

Para isso, foram necessárias pesquisas junto aos diversos segmentos de toda a cadeia produtiva, com entrevistas qualitativas, principalmente na região da Chapada Diamantina, no Baixo Sul e na Região Metropolitana de Salvador, buscando informações diversas, sobretudo com foco no mercado, inclusive com benchmarking em Minas Gerais, região produtora mais desenvolvida em relação à Bahia.

Entre as várias causas da suspensão de atividades e das dificuldades para sustentação dos empreendimentos foram encontradas, entre outras: atenções mais direcionadas para o segmento da produção com pouca ênfase no acesso a mercados, aliadas ao incipiente trabalho promocional; pouca disponibilidade de recursos financeiros das empresas, tributação excessiva, forte e desleal concorrência dos produtores informais (mais de 99,5% dos empreendimentos), existência de falsificadores e desdobradores de álcoois e concorrência das cachaças industriais e das cachaças de outros Estados. 

Portanto, este trabalho é mais que um estudo de mercado, tendo também como objetivo buscar soluções para viabilizar o agronegócio cachaça e torná-lo sustentável, principalmente com foco no mercado. Ao final, apresenta um modelo para estruturação de plano, com indicação de ações a serem desenvolvidas para o conjunto de todos os segmentos da cadeia produtiva da cachaça, com prioridade para três grupos selecionados de produtores: a) produtores de cachaça de alambique de melhor qualidade, legalizados e/ou em vias de legalização, b) produtores de aguardente de melado, legalizados e/ou em vias de legalização e c) produtores informais.

O horizonte de trabalho para atender aos objetivos e metas estabelecidos, é de 3 anos, prevendo-se que, após esse período, as estratégias estarão voltadas para outros objetivos, principalmente a busca de mercados mais distantes.

Confira o estudo em: http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/58f606441f39bb8cb5a35e6563b4ec70/$File/7369.pdf

estudo cachaçaia.