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Ano a ano cresce a demanda por alimentos sem glúten. O Conselho Nacional de Saúde (CNS) estima que dois milhões de pessoas no Brasil sejam afetadas pela doença celíaca. A intolerância ao glúten, cuja ingestão prejudica a saúde é permanente, acometendo indivíduos com predisposição genética. Portanto, pode atingir crianças e adultos.

Mas a procura por alimentos livres dessa proteína encontrada no trigo, no centeio, na aveia, na cevada e no malte ocorre também porque as dietas prescritas por nutricionistas que restringem o consumo de tais ingredientes estão se tornando cada vez mais comum.

As dietas “detox” estão formando uma legião de apreciadores dos benefícios que a ausência de glúten propicia. São pessoas que buscam por mudanças no hábito alimentar. Para essas, os especialistas em saúde afirmam que esse tipo de dieta não contém qualquer contraindicação.

A Revista Isto é atesta que o principal desafio dos adeptos do regime é encontrar substitutos à altura do trigo e dos produtos com ele produzidos. Aos poucos, porém, crescem as opções para quem deseja tirar o glúten da dieta. Para atender à demanda, o mercado está se movimentando. Evidência disso é a Feira Glúten Free que acontece anualmente em São Paulo e que, desde a sua primeira edição, vem multiplicado o número de expositores de alimentos isentos da proteína e o de visitantes.

Também é abundante o volume de matérias publicadas, tanto nos meios impressos como nos eletrônicos, sobre a adequação de cardápios em restaurantes do país inteiro. Em Brasília, por exemplo, a mais recente edição do Restaurante Week – festival gastronômico que acontece duas vezes por ano em 20 cidades brasileiras – está sendo contemplada com alternativas de pratos criados com ingredientes que na sua composição não contenham glúten.

Estabelecimentos que produzam alimentos sem glúten em uma cozinha onde se manipula glúten devem buscar orientação a fim de evitar a contaminação cruzada. O pó da farinha de trigo no ar, equipamentos compartilhados com partículas de poeira de farinha, o uso comum de utensílios e equipamentos, a limpeza inadequada e falta de programação de produção de alimentos sem glúten e com glúten são as principais causas de contaminação cruzada que pode causar danos à saúde dos intolerantes ao glúten.

O portal Folha de São Paulo noticiou, no final de 2013, que bares e restaurantes que se adequarem às normas de preparo de alimentos sem a proteína, participantes de um programa da Fenacelbra (Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil) serão identificados com um selo fornecido por ela.

A expansão desse mercado pode ser considerada recente. A Fenacelbra, por exemplo, foi instituída em 2006, para, entre outras finalidades, integrar as Associações dos Celíacos presentes em vários estados brasileiros.

Não foram encontrados estudos diretamente relacionados à produção de alimentos sem glúten. Porém, uma pesquisa realizada em 2010, por Vera Paim e Cynthia Schuck, publicada na Revista Vida sem Glúten sob o título “O custo da Alimentação sem Glúten no Brasil, apresenta o crescimento do volume de buscas pelo termo ‘gluten free’ (‘sem glúten’) realizadas no Google nos últimos 5 anos. Veja a seguir:

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De acordo com a publicação, nos Estados Unidos, por exemplo, o mercado de produtos sem glúten cresceu a uma taxa média de 28% ao ano de 2004 a 2008, com um volume de vendas de US$1.6 bilhões em 2008, e projetado para US$2.6 bilhões em 2012 (Packaged Facts in the brand-new report, “The Gluten-Free Food and Beverage Market: Trends and Developments Worldwide, 2nd Edition).

No Brasil, a tendência também é de crescimento, com centenas de novos produtos, serviços e negócios voltados a este setor tendo surgido recentemente. Além disso, o aumento na taxa de diagnóstico da doença celíaca  e de outras condições nas quais a exclusão do glúten é praticada (como o autismo) deverão também contribuir para aumentar ainda mais a demanda no setor.

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